
Lia Bahut
Fitness Manager Solinca
Docente do Módulo Direção Técnica

Lia Bahut
Fitness Manager Solinca
Docente do Módulo Direção Técnica
Partilha uma situação real em que a tua área transformou os resultados de um ginásio. O que mudou, e como?
Uma das experiências mais marcantes que vivi enquanto Fitness Manager foi a criação de um programa de engagement para sócios que tinha um objetivo muito claro: aumentar a retenção através da mudança de hábitos. Na Solinca sempre privilegiámos a análise de dados, e partindo ainda de uma análise simples, percebemos algumas condições comuns aos sócios com maior permanência no clube. Uma dessas condições era a frequência de aulas de grupo. O nosso desafio era então fazer com que segmentos mais vulneráveis, como sócios com baixa frequência e novos utilizadores, adotassem esses comportamentos: treinar com mais regularidade e criar uma ligação emocional mais forte à experiência de treino.
Foi assim que nasceu o “Passaporte Les Mills” em 2017, um desafio gamificado que transformava a participação em aulas de grupo numa jornada com objetivos, progressão e recompensas. O impacto foi imediato. Em apenas um ano, o número de participações aumentou mais de 500%, com mais de 3.600 passaportes concluídos (em 2018). Durante o desafio, as entradas nos clubes cresceram mais de 70% e a frequência das aulas de grupo aumentou 74%. Nos segmentos mais críticos, observámos aumentos de até 1500% na participação em aulas de grupo e 262% nas entradas no clube.
Esta experiência acabou por inspirar mais projetos, entre eles um ainda mais abrangente: a criação do ciclo de vida do cliente Solinca, uma jornada estruturada desde o dia da inscrição até aos 500 dias de utilização. Em vez de olharmos para a experiência do sócio como um conjunto de serviços isolados, desenhámos desafios, programas e interações específicas para cada fase da sua evolução, alinhando objetivos pessoais, motivação, preferências, frequência de treino e progressão técnica.
Uma das conclusões mais interessantes destes projetos foi perceber que a retenção nem sempre depende de treinos mais complexos ou de mais tecnologia. Muitas vezes, resulta da capacidade de criar razões genuínas para as pessoas voltarem, e transformar esse regresso num hábito.
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